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Home / Centro de Aprendizagem / Vender Empresa / Estudo de Caso: Venda Parcial de 45% – Software de Gestão – Blumenau

Estudo de Caso: Venda Parcial de 45% – Software de Gestão – Blumenau

Publicado em 11/09/2026
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Estudo de Caso: Venda Parcial de 45% – Software de Gestão – Blumenau

Índice

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  • O fundador queria liquidez, mas ainda queria construir a empresa
  • Por que vender 45% e não 20%, 51% ou 100%?
  • Por que o investidor aceitou pagar R$ 14,4 milhões por 45%?
  • O valuation de R$ 32 milhões não era apenas uma conta sobre EBITDA
  • Os R$ 14,4 milhões foram para o fundador — não para a empresa
  • Depois da venda, o fundador continuou CEO — mas a empresa mudou
  • O contrato passou a valer quase tanto quanto o preço
  • O empresário vendeu 45%, mas não fez seu exit completo
  • O que aconteceu nos dois anos seguintes?
  • E se a empresa tivesse piorado?
  • Três decisões fizeram a operação funcionar
  • O que este caso não permite concluir
  • Próximo passo: decidir quanto você quer vender antes de discutir quanto quer receber

Este estudo de caso é uma simulação baseada em situações e padrões reais de mercado. Empresas, personagens e valores foram adaptados para fins educacionais.

Uma venda parcial empresa permitiu que o fundador de uma software house de Blumenau transformasse parte do patrimônio construído ao longo de 14 anos em liquidez sem abandonar o negócio.

Na simulação, a companhia desenvolvia software de gestão B2B, atendia aproximadamente 620 empresas e possuía forte componente de receita recorrente.

O fundador recebeu uma proposta para vender 100% da operação.

Recusou.

Em vez disso, negociou a venda de 45% da empresa por R$ 14,4 milhões, permaneceu com os outros 55% e continuou como CEO.

Os principais números da operação eram:

Valor atribuído à empresa: R$ 32 milhões
Participação vendida: 45%
Valor recebido pelo fundador: R$ 14,4 milhões
Participação mantida: 55%
Receita anual: aproximadamente R$ 17,2 milhões
Receita recorrente anualizada: aproximadamente R$ 14,4 milhões
EBITDA normalizado: aproximadamente R$ 3,6 milhões

A operação não foi uma saída completa.

Foi uma forma de realizar parte do patrimônio agora e manter exposição ao crescimento futuro.

Esse tipo de decisão faz sentido dentro de uma discussão maior sobre qual é o momento certo para vender uma empresa, porque o empresário não precisa necessariamente escolher entre continuar com 100% ou vender tudo.


O fundador queria liquidez, mas ainda queria construir a empresa

A companhia havia crescido durante mais de uma década.

O fundador tinha grande parte de seu patrimônio pessoal concentrado em um único ativo: a própria empresa.

Isso criava uma contradição.

Ele acreditava no potencial do negócio, mas qualquer problema relevante na companhia poderia afetar simultaneamente sua renda, carreira e patrimônio.

Uma venda total resolveria essa concentração.

Por outro lado, encerraria sua participação no crescimento que ainda esperava construir.

A solução intermediária foi vender parte da sociedade.

Com os R$ 14,4 milhões recebidos, o empresário passou a possuir patrimônio líquido fora da empresa e, ao mesmo tempo, continuava dono da maioria das quotas.

O objetivo não era abandonar o risco.

Era reduzi-lo.


Por que vender 45% e não 20%, 51% ou 100%?

O percentual não surgiu de uma regra de mercado.

Ele foi resultado da negociação entre os objetivos das duas partes.

O fundador queria manter o controle societário.

O investidor, por sua vez, precisava de uma participação relevante o suficiente para justificar tempo, capital e envolvimento na governança.

Chegou-se a:

Fundador: 55%

Investidor: 45%

Essa diferença aparentemente pequena de dez pontos percentuais preservava a maioria econômica do fundador.

Mas seria um erro concluir que ele continuaria decidindo tudo sozinho.

É justamente aí que aparece uma das maiores diferenças entre vender uma sociedade e vender 100% da empresa.

Na venda total, a discussão principal é como transferir o negócio.

Na venda parcial, surge outra questão:

como duas partes continuarão sendo proprietárias depois que o dinheiro mudar de mãos?


Por que o investidor aceitou pagar R$ 14,4 milhões por 45%?

O investidor não analisou apenas lucro corrente.

A empresa possuía algumas características atraentes para um negócio de software:

receita recorrente, histórico de retenção de clientes, produto já desenvolvido, base empresarial pulverizada e oportunidade de crescer sem aumentar estrutura na mesma proporção da receita.

O mercado brasileiro de tecnologia também oferece um contexto relevante. A ABES acompanha anualmente a evolução do mercado nacional de software e serviços e mostra um ecossistema de TI expressivo e em expansão. Estudo Mercado Brasileiro de Software — ABES

Isso não determina o valuation da empresa desta simulação.

Uma companhia de software pode operar em um setor crescente e ainda possuir churn elevado, baixa margem, dependência do fundador ou tecnologia defasada.

Por isso, o investidor analisou o negócio individualmente.


O valuation de R$ 32 milhões não era apenas uma conta sobre EBITDA

Com aproximadamente R$ 3,6 milhões de EBITDA, os R$ 32 milhões representavam algo próximo de 8,9x EBITDA na simulação.

Mas esse múltiplo isoladamente dizia pouco.

O investidor também analisou receita recorrente, crescimento, retenção, concentração de clientes, dependência técnica, qualidade do produto, equipe e potencial de expansão.

Em software, a natureza da receita pode mudar bastante a percepção de valor.

Uma companhia que precisa reconquistar toda a receita a cada mês é diferente de uma empresa que inicia o período com contratos recorrentes já ativos.

Da mesma forma, crescimento financiado por descontos excessivos ou marketing insustentável possui qualidade diferente de crescimento acompanhado por retenção e margem.

É por isso que vender uma empresa de tecnologia com sócios ou investidores exige explicar não apenas quanto a empresa fatura, mas como esse faturamento é construído e quanto dele tende a permanecer.


Os R$ 14,4 milhões foram para o fundador — não para a empresa

venda parcial empresa

Esse detalhe é importante.

Na simulação, a operação foi uma venda secundária de participação.

O investidor comprou quotas que pertenciam ao fundador.

Portanto:

R$ 14,4 milhões → fundador

e não:

R$ 14,4 milhões → caixa da empresa

A companhia continuava com sua própria estrutura financeira.

Isso diferencia venda de participação de uma rodada primária de investimento, na qual novas quotas ou ações são emitidas e o dinheiro entra no caixa do negócio.

O fundador alcançou seu objetivo principal:

liquidez pessoal sem saída total.


Depois da venda, o fundador continuou CEO — mas a empresa mudou

Comparativo “Antes × depois da entrada do investidor”

Antes da operação, ele controlava 100%.

Depois, possuía 55%.

Matematicamente continuava majoritário.

Na prática, entretanto, um investidor que desembolsa R$ 14,4 milhões dificilmente aceita ser tratado como espectador.

Na simulação, foi criado um conselho com três integrantes: dois ligados ao fundador e um indicado pelo investidor.

Determinadas decisões continuaram sob responsabilidade normal da administração.

Outras passaram a exigir aprovação conjunta.

Entre elas estavam endividamento acima de determinado limite, emissão de novas participações, venda da empresa, aquisição de outras companhias, distribuição extraordinária de dividendos e operações com partes relacionadas.

Esse movimento é coerente com uma ideia central da governança de empresas fechadas: conforme propriedade e maturidade mudam, a estrutura decisória também precisa evoluir. Em 2026, o IBGC reforçou justamente essa visão ao tratar a governança das empresas de capital fechado como uma jornada contextual ligada à propriedade e ao estágio do negócio. Jornada de governança das empresas de capital fechado — IBGC


O contrato passou a valer quase tanto quanto o preço

Essa talvez tenha sido a maior mudança para o fundador.

Antes da operação, possuir a maioria da empresa significava liberdade praticamente absoluta sobre decisões societárias.

Depois, 55% não bastavam para ignorar aquilo que havia sido negociado.

O acordo regulava temas como direito de preferência, venda futura das participações, matérias sujeitas a aprovação especial, regras de informação e mecanismos para resolução de impasses.

Também foram discutidas cláusulas de tag along e drag along para uma eventual venda futura.

Esse é o motivo pelo qual as cláusulas de um contrato de investimento podem alterar profundamente o significado econômico de uma venda parcial.

Duas propostas de R$ 14,4 milhões pelos mesmos 45% podem ser muito diferentes se uma delas impõe restrições muito maiores ao fundador.


O empresário vendeu 45%, mas não fez seu exit completo

Esse ponto merece precisão.

Financeiramente, houve liquidez.

Societariamente, ocorreu uma venda parcial.

Mas o fundador continuava exposto ao negócio.

Se a companhia perdesse clientes, enfrentasse problemas tecnológicos ou reduzisse sua rentabilidade, seus 55% restantes perderiam valor.

Da mesma forma, se a empresa crescesse, ele participaria desse ganho.

Por isso, a venda parcial funcionava como uma espécie de exit em etapas.

O empresário tirava parte das fichas da mesa sem abandonar o jogo.


O que aconteceu nos dois anos seguintes?

Estudo de Caso: Venda Parcial de 45% – Software de Gestão – Blumenau

Na construção ilustrativa do caso, a entrada do investidor coincidiu com uma fase de maior profissionalização.

A companhia reforçou vendas, melhorou indicadores de retenção, estruturou melhor a gestão financeira e reduziu algumas dependências do fundador.

Depois de aproximadamente 24 meses:

Receita anual: cerca de R$ 25 milhões
Receita recorrente anualizada: aproximadamente R$ 21 milhões
EBITDA normalizado: aproximadamente R$ 5,2 milhões

Em uma avaliação puramente ilustrativa, suponha que naquele momento a empresa pudesse ser avaliada em R$ 48 milhões.

Os 55% do fundador representariam, matematicamente:

R$ 26,4 milhões

Somados aos R$ 14,4 milhões já realizados na venda inicial, haveria um valor econômico teórico de R$ 40,8 milhões associado às duas parcelas.

Mas essa conta exige uma ressalva essencial:

participação societária não é dinheiro em conta.

Os R$ 26,4 milhões só se transformariam em liquidez se houvesse comprador, distribuição, recompra ou outra operação capaz de realizar esse valor.


E se a empresa tivesse piorado?

A história também poderia seguir na direção oposta.

Imagine que a empresa passasse a valer R$ 20 milhões.

Os 55% remanescentes valeriam teoricamente:

R$ 11 milhões

O fundador teria realizado R$ 14,4 milhões, mas sua participação restante valeria menos.

É justamente isso que torna a venda parcial diferente da venda total.

Ela reduz risco.

Não elimina.


Três decisões fizeram a operação funcionar

A primeira foi definir claramente o objetivo do fundador.

Ele não queria aposentadoria nem afastamento imediato.

Queria liquidez e diversificação patrimonial.

A segunda foi escolher um investidor compatível com a permanência do fundador.

Um comprador interessado em assumir totalmente a gestão provavelmente criaria uma negociação diferente.

A terceira foi negociar governança antes do fechamento.

Preço resolve o dia da venda.

Governança determina como os sócios conviverão no dia seguinte.


O que este caso não permite concluir

Os números apresentados — valuation de R$ 32 milhões, venda de 45% por R$ 14,4 milhões, receita de R$ 17,2 milhões e resultados posteriores — pertencem exclusivamente a esta simulação editorial.

Eles não representam múltiplos típicos para empresas de software nem indicam que vender 45% seja uma estrutura ideal.

Outro fundador pode precisar de controle absoluto.

Outro pode preferir vender 100%.

Em determinados casos, o investidor pode exigir maioria.

Em outros, uma participação muito menor pode atender aos objetivos das partes.

A conclusão é mais restrita:

uma venda parcial pode permitir ao empresário realizar parte do patrimônio sem abandonar o potencial futuro da companhia, mas essa escolha substitui o risco de concentração total por um novo desafio: dividir propriedade, informação e decisões com outro sócio.


Próximo passo: decidir quanto você quer vender antes de discutir quanto quer receber

Quando surge uma proposta, é natural começar pelo valuation.

Mas, em uma venda parcial, existe uma pergunta anterior:

quanto da empresa o fundador realmente está disposto a deixar de possuir?

Vender 20%, 45%, 51% ou 100% não produz apenas cheques diferentes.

Produz relações societárias diferentes.

No caso ilustrativo, os 45% permitiram que o empresário transformasse R$ 14,4 milhões de seu patrimônio empresarial em liquidez e continuasse com 55% da companhia.

O preço resolveu uma parte da decisão.

A outra parte foi aceitar que, a partir do fechamento, a empresa deixaria de ser “minha empresa com um investidor” e passaria a ser:

“nossa empresa, com dois proprietários e regras previamente combinadas.”

Essa talvez seja a diferença mais importante entre levantar dinheiro e realmente vender uma parte do negócio.

Por <a href='https://negociosbrasil.com.br/author/felipealencar/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Felipe Alencar</a>
Por Felipe Alencar
Autor do livro: O guia definitivo para vender sua empresa, melhores práticas do mercado.
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