Quanto vale uma clínica odontológica no Brasil em 2026? (comparação cidade por cidade)
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ToggleSaber quanto vale uma clínica odontológica no Brasil em 2026 exige critérios objetivos que o mercado efetivamente está disposto a pagar — e não tabelas simplificadas ou médias nacionais.
O que define o preço de fechamento são cinco Fatores decisivos, todos mensuráveis e com peso muito diferente dependendo da localização:
- Fluxo de caixa recorrente (percentual de receita vindo de manutenção, ortodontia ativa, estética e pacotes)
- Previsibilidade e giro da agenda (capacidade ociosa baixa e churn controlado)
- Mix de receita particular versus convênios (ticket médio, taxa de glosa e margem líquida real)
- Grau de dependência do dentista-proprietário (percentual de procedimentos executados pelo dono e facilidade de substituição do time clínico)
- Liquidez local do mercado (número real de compradores qualificados dispostos a pagar prêmio por ativos de saúde em cada cidade ou região)
Esses fatores não se comportam de forma uniforme: o mesmo desempenho operacional pode gerar um múltiplo 5,5× em São Paulo ou Campinas e cair para 3,6×–3,9× em cidades médias do Nordeste ou Centro-Oeste.
Essa dispersão regional de múltiplos está diretamente ligada à concentração de estabelecimentos de saúde, renda local e densidade populacional, conforme dados oficiais do IBGE.
É exatamente essa variação geográfica e estrutural que separa o preço pedido (geralmente otimista) do preço que o mercado efetivamente fecha — e que torna inútil qualquer avaliação baseada apenas em “média do setor”.
Este artigo é complementar da categoria 🧮 Métricas & Benchmarks. Ele pega os critérios decisórios, as metodologias de normalização e os princípios de ajuste de múltiplos consolidados no Artigo referência → Como Avaliar uma Empresa no Brasil em 2026: Métricas, Benchmarks e Critérios de Valor e os aplica de forma prática, detalhada e regionalizada ao nicho de clínicas odontológicas.
Métricas mais usadas na precificação de clínicas odontológicas em 2026

EV/EBITDA — métrica central para clínicas maduras e estabilizadas
Aplicável quando a clínica possui mínimo de 3 cadeiras ativas, EBITDA normalizado acima de R$ 350 mil/ano e histórico operacional consistente.
É a métrica que melhor captura a relação entre previsibilidade de caixa, risco operacional e retorno esperado pelo comprador.
👉 Quanto maior a recorrência e menor a dependência do dentista-proprietário, maior tende a ser o múltiplo aceito pelo mercado.
EV/Receita — métrica secundária, usada de forma transitória
Utilizada quando o EBITDA ainda não reflete a capacidade real do negócio, como em clínicas em fase de expansão, com abertura recente de cadeiras, mudança de mix de procedimentos ou margem temporariamente comprimida (aluguel elevado, depreciação recente).
👉 Não substitui o EV/EBITDA no fechamento do preço, mas serve como apoio temporário para ancorar negociações enquanto a margem se normaliza.
Preço por cadeira ativa — métrica auxiliar e derivada
Considera exclusivamente cadeiras com giro médio igual ou superior a 60–70% da capacidade operacional, nunca cadeiras ociosas ou recém-instaladas. É útil para comparações rápidas entre clínicas semelhantes, mas não sustenta valuation isoladamente.
👉 Seu uso correto exige validação cruzada com margem, ticket médio e EBITDA efetivo.
Princípio-chave sobre preço por cadeira
Preço por cadeira só se sustenta quando o giro médio mensal confirma o EBITDA implícito no múltiplo.
Em outras palavras: cadeira sem giro não gera caixa, e caixa é o único fator que o mercado precifica no fechamento da transação.
Faixas nacionais observadas (transações 2024–2025 projetadas para 2026)
- EV/EBITDA: 3,2× – 5,8×
- Média realista: ~4,0×–4,8× para clínicas independentes bem geridas
- Prêmio (5,0×–5,8×): ≥ 60% receita recorrente, time substituível, marketing digital previsível, < 30% convênio com glosas altas
- Desconto (abaixo de 3,8×): dono central (>50% dos atendimentos), agenda instável, passivos trabalhistas latentes
- EV/Receita: 0,9× – 1,7×
- Mais usada quando EBITDA < 20% da receita (clínicas com alta depreciação ou custo de aluguel elevado)
- Preço por cadeira ativa: R$ 280 mil – R$ 620 mil
- Média típica: R$ 380–480 mil em clínicas com giro adequado e mix equilibrado
Fontes de referência para as faixas: relatórios setoriais indiretos (Kroll América Latina 2024–2025), benchmarks de saúde/PME (Portal do Valuation, Negócios Brasil 2025), transações reportadas em plataformas de M&A middle-market e análises de corretoras especializadas em saúde.
O que efetivamente puxa o múltiplo para cima (ou derruba)
Fatores de prêmio (elevam para 5,0×+)
- ≥ 65% receita recorrente (manutenção, ortodontia ativa, pacotes de estética)
- ≤ 25% receita via convênios com glosas > 15%
- Time clínico com contratos e capacidade de substituição (dono atende < 30% das horas)
- Capacidade ociosa < 20% (agenda girando ≥ 75%)
- Presença digital forte (Google Ads + Instagram gerando ≥ 25–30 novos pacientes/mês)
- Processos digitalizados (prontuário eletrônico + gestão de agenda integrada)
Fatores de desconto (derrubam para < 3,8×)
- Dono executa > 55% dos procedimentos
- 45% receita de convênios com margens líquidas < 18%
- Churn de pacientes > 20% ao ano
- Aluguel do ponto > 12–15% da receita
- Equipamentos com vida útil restante < 3 anos (investimentos ocultos relevantes)
- Passivos trabalhistas ou fiscais não provisionados
Impacto típico dos principais drivers no múltiplo EV/EBITDA (observações de mercado 2025–2026)
| Driver / Fator | Condição para prêmio | Impacto típico no EV/EBITDA | Condição para desconto | Impacto típico no EV/EBITDA |
|---|---|---|---|---|
| % Receita recorrente | ≥ 65–70% | +0,8× a +1,4× | ≤ 40% | –0,7× a –1,2× |
| Dependência do dentista-proprietário | Dono atende < 25% | +0,6× a +1,0× | Dono atende > 55% | –0,8× a –1,5× |
| % Receita via convênios | ≤ 25% + glosas < 10% | +0,5× a +1,0× | > 45% + glosas > 15% | –0,6× a –1,3× |
| Capacidade ociosa | < 20% | +0,4× a +0,8× | > 35% | –0,5× a –1,0× |
| Presença digital / Novos pacientes/mês | ≥ 25–35 via marketing digital | +0,5× a +1,2× | < 10 ou só indicações | –0,4× a –0,9× |
| Governança / Time clínico substituível | Time com contratos + protocolos | +0,7× a +1,3× | Sem substituição viável | –0,8× a –1,6× |
Os impactos indicados representam faixas típicas observadas em negociações reais e não são cumulativos de forma automática. O múltiplo final resulta da combinação entre drivers, liquidez local e risco percebido pelo comprador.
Comparação prática cidade por cidade — faixas praticadas em 2026
| Cidade / Região | EV/EBITDA típico | EV/Receita típico | Preço por cadeira ativa | Leitura decisória principal (2026) |
|---|---|---|---|---|
| São Paulo (capital) | 4,8× – 5,8× | 1,3× – 1,7× | R$ 480k – 650k | Maior liquidez do país; prêmio exige governança + marketing digital estável |
| Rio de Janeiro (capital) | 4,3× – 5,4× | 1,1× – 1,6× | R$ 420k – 600k | Risco trabalhista e glosas pesam; localização premium sustenta múltiplo |
| Belo Horizonte + polos MG | 4,2× – 5,2× | 1,0× – 1,5× | R$ 380k – 580k | Mercado profissionalizado; crescimento orgânico consistente eleva prêmio |
| Curitiba + Joinville | 4,3× – 5,5× | 1,1× – 1,6× | R$ 400k – 600k | Compliance e gestão elevada; ticket médio alto favorece |
| Porto Alegre + Caxias | 3,9× – 5,1× | 1,0× – 1,4× | R$ 350k – 540k | Eficiência operacional decide; ticket médio menor que SP/RJ |
| Campinas / Ribeirão / SJC | 4,4× – 5,6× | 1,1× – 1,6× | R$ 410k – 610k | Renda per capita alta fora da capital; múltiplos próximos de SP |
| Brasília | 4,4× – 5,7× | 1,2× – 1,7× | R$ 430k – 620k | Renda estável + funcionalismo público favorecem recorrência |
| Goiânia + Aparecida | 3,9× – 5,0× | 1,0× – 1,4× | R$ 340k – 520k | Crescimento rápido, mas dependência do dono ainda comum |
| Salvador / Recife / Fortaleza | 3,6× – 4,9× | 0,9× – 1,3× | R$ 300k – 480k | Alta sensibilidade a preço; convênios comprimem margens |
| Cidades médias (100–350 mil hab.) | 3,3× – 4,4× | 0,8× – 1,2× | R$ 250k – 420k | Liquidez baixa: o múltiplo máximo costuma ser limitado não pelo desempenho da clínica, mas pelo número real de compradores qualificados. |
Exemplos ilustrativos de precificação — cenários típicos observados no mercado (2025–2026)
Clínica premium — São Paulo (capital) | 5 cadeiras
Receita: R$ 5,8 mi
EBITDA: R$ 1,45 mi (25%)
Perfil: 72% de recorrência, time clínico independente, marketing digital previsível
Múltiplo aplicado: 5,4× EV/EBITDA
Enterprise Value (EV): ≈ R$ 7,8 milhões
Leitura decisória:
O múltiplo elevado se sustenta pela combinação de recorrência acima de 70%, baixa dependência do dentista-proprietário e alta liquidez do mercado paulistano. Nesse perfil, compradores aceitam pagar prêmio porque o risco de transição é baixo e a previsibilidade de caixa é alta. Qualquer quebra relevante na recorrência ou retorno do dono à operação reduziria rapidamente o múltiplo para a faixa de 4,8×–5,0×.
Clínica média — Belo Horizonte | 4 cadeiras
Receita: R$ 3,1 mi
EBITDA: R$ 680 mil
Perfil: 55% particular, dono ainda atende ~40% dos procedimentos
Múltiplo aplicado: 4,6× EV/EBITDA
Enterprise Value (EV): ≈ R$ 3,1 milhões
Leitura decisória:
O múltiplo intermediário reflete um ativo saudável, porém ainda parcialmente dependente do fundador. A cidade oferece boa liquidez regional, mas o prêmio é limitado enquanto o dono permanecer como peça central da produção clínica. Com profissionalização do time e aumento da recorrência, o mesmo ativo poderia migrar para a faixa de 5,0×.
Clínica — Interior de São Paulo | 3 cadeiras
Receita: R$ 2,2 mi
EBITDA: R$ 420 mil
Perfil: 65% convênio, agenda instável, dependência operacional elevada
Múltiplo aplicado: 3,7× EV/EBITDA
Enterprise Value (EV): ≈ R$ 1,55 milhão
Leitura decisória:
Apesar da boa margem absoluta, o múltiplo é pressionado pela instabilidade da agenda, pelo peso dos convênios e pela menor liquidez típica de cidades médias. Aqui, o preço não é limitado pelo EBITDA em si, mas pelo risco percebido e pelo número reduzido de compradores qualificados. Sem mudanças estruturais, múltiplos acima de 4,0× tendem a não fechar.
Clínica — Recife | 4 cadeiras
Receita: R$ 2,9 mi
EBITDA: R$ 510 mil
Perfil: 48% convênio, glosas elevadas, ticket médio comprimido
Múltiplo aplicado: 3,9× EV/EBITDA
Enterprise Value (EV): ≈ R$ 2,0 milhões
Leitura decisória:
O múltiplo reflete um equilíbrio entre bom desempenho operacional e pressão estrutural de convênios. Em mercados com maior sensibilidade a preço, como capitais do Nordeste, compradores penalizam glosas e margens instáveis mesmo quando o EBITDA é razoável. Redução da dependência de convênios poderia destravar múltiplos acima de 4,3×.
Clínica — Curitiba | 6 cadeiras (gestão profissional)
Receita: R$ 4,9 mi
EBITDA: R$ 1,3 mi
Perfil: 68% recorrência, marketing digital maduro, processos padronizados
Múltiplo aplicado: 5,5× EV/EBITDA
Enterprise Value (EV): ≈ R$ 7,15 milhões
Leitura decisória:
Esse é o exemplo clássico de clínica que recebe prêmio de gestão. O mercado de Curitiba valoriza fortemente compliance, previsibilidade e profissionalização. Mesmo fora do eixo SP-RJ, o ativo se aproxima dos múltiplos de capital porque reduz drasticamente o risco de integração e continuidade do caixa.
Observação técnica comum aos cinco exemplos
Em todos os casos, o múltiplo aplicado não deriva do faturamento, do número de cadeiras ou da cidade isoladamente, mas da relação entre previsibilidade de caixa, risco operacional e liquidez local. É essa leitura integrada que explica por que clínicas com EBITDA semelhante podem ter valores finais tão diferentes.
Armadilhas comuns que derrubam o valuation em 2026

- Confundir faturamento bruto com valor (margem e recorrência importam muito mais)
- Ignorar % convênio + taxa de glosa real (pode comprimir EBITDA em 8–15 pontos)
- Usar preço por cadeira isolado (sem medir giro real e ticket médio por cadeira)
- Subestimar capex oculto (raios-X, autoclaves, cadeiras com < 4 anos de vida útil)
- Não mitigar dependência do dono (sem protocolos, sem time com contratos)
- Desconsiderar tendência de consolidação (franquias e fundos pagam prêmio por redes escaláveis)
Conclusão: quanto vale uma clínica odontológica no Brasil, em 2026?
Uma clínica odontológica vale o caixa previsível que ela entrega, ajustado pelo risco operacional e pela liquidez do mercado local.
- Capitais e polos de alta renda (SP, RJ, BH, Curitiba, Brasília, Campinas): 4,5×–5,8× EBITDA quando gestão profissional, recorrência ≥ 60% e time independente.
- Nordeste, Centro-Oeste e cidades médias: 3,3×–4,7× EBITDA, salvo exceções com forte recorrência e digitalização avançada.
Os critérios completos de normalização de EBITDA, risco e ajuste de múltiplos estão detalhados no Artigo referência → Como Avaliar uma Empresa no Brasil em 2026: Métricas, Benchmarks e Critérios de Valor.
Para definir o preço certo — sem cair em médias enganosas ou otimismo exagerado — sempre volte à lógica do Artigo refeerência e aplique os recortes por cidade, porte e fatores principais. É esse nível de detalhe que separa um bom negócio de uma negociação que desanda na due diligence.
Simule o valuation da sua clínica com metodologia profissional
O NB Valuation Pro gera uma estimativa inicial com base em múltiplos EV/EBITDA e benchmarks praticados no mercado brasileiro.