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Estudo de Caso: Golpe da Falsa Rentabilidade Evitado – Rede de Farmácias – Goiás

Publicado em 08/09/2026
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Estudo de Caso: Golpe da Falsa Rentabilidade Evitado – Rede de Farmácias – Goiás

Índice

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  • A proposta parecia melhor do que muitas oportunidades do mercado
  • O primeiro alerta apareceu quando lucro e caixa não conversavam
  • Quatro ajustes desmontaram a rentabilidade apresentada
  • O preço mudou sem que o múltiplo precisasse mudar
  • Quando uma inconsistência vira indício de falsa rentabilidade?
  • A diligência não parou no EBITDA
  • Por que o comprador não renegociou simplesmente para R$ 5,4 milhões?
  • Três sinais que mudaram a decisão
  • O que este caso não permite concluir
  • Próximo passo: tentar provar que o lucro é verdadeiro

Este estudo de caso é uma simulação baseada em situações e padrões reais de mercado. Empresas, personagens e valores foram adaptados para fins educacionais.

Uma rede de quatro farmácias em Goiás foi apresentada a um comprador por R$ 14,4 milhões. O argumento parecia convincente: faturamento anual próximo de R$ 24 milhões, EBITDA de R$ 3,6 milhões e margem operacional de aproximadamente 15%.

A conta era simples.

Por quatro vezes o EBITDA apresentado, o preço pedido parecia defensável.

O problema surgiu quando a diligência tentou responder uma pergunta mais básica:

os R$ 3,6 milhões de resultado realmente existiam — e continuariam existindo depois da compra?

Na simulação, a resposta foi não.

Depois de reconstruir receitas, despesas, estoque, contratos e fluxo financeiro, o EBITDA normalizado caiu para aproximadamente R$ 1,35 milhão por ano. Aplicando o mesmo múltiplo ilustrativo de 4x, a referência de valor cairia de R$ 14,4 milhões para cerca de R$ 5,4 milhões.

O comprador desistiu da aquisição antes da assinatura.

Este caso de golpe falsa rentabilidade empresa mostra por que uma demonstração de resultados aparentemente consistente não basta para validar uma aquisição. O comprador precisa descobrir se o lucro apresentado é recorrente, transferível e compatível com aquilo que efetivamente acontece no caixa e na operação.

Essa verificação pertence ao processo de compra de empresas, antes que preço e entusiasmo transformem números não comprovados em uma obrigação real.


A proposta parecia melhor do que muitas oportunidades do mercado

A rede possuía quatro unidades, marca regional conhecida e operação consolidada.

Os números apresentados eram:

Receita anual: R$ 24 milhões
EBITDA apresentado: R$ 3,6 milhões
Margem EBITDA apresentada: 15%
Preço pedido: R$ 14,4 milhões
Múltiplo utilizado na negociação: 4x EBITDA

Nada disso, isoladamente, parecia impossível.

O material comercial mostrava crescimento de vendas, evolução positiva do resultado e uma operação supostamente capaz de gerar cerca de R$ 300 mil mensais de EBITDA.

O comprador avançou para a diligência.

Foi aí que a história começou a mudar.


O primeiro alerta apareceu quando lucro e caixa não conversavam

Se a empresa produzia R$ 3,6 milhões de EBITDA por ano, o comprador esperava encontrar uma geração financeira compatível, depois dos ajustes normais de capital de giro, investimentos e impostos.

Mas a disponibilidade de caixa era muito menor do que o resultado apresentado sugeria.

Isso não prova fraude por si só.

Empresas podem apresentar diferenças legítimas entre resultado contábil e fluxo financeiro por causa de estoque, prazo de clientes, fornecedores, investimentos e outros movimentos.

Mas uma diferença relevante precisa ser explicada.

O Sebrae destaca que o fluxo de caixa registra e projeta efetivamente as entradas e saídas financeiras da empresa, permitindo observar disponibilidades em regime de caixa, e não apenas resultado contábil.

Nesse caso ilustrativo, a reconciliação levou a uma investigação mais profunda.


Quatro ajustes desmontaram a rentabilidade apresentada

golpe falsa rentabilidade empresa

A diligência reconstruiu o resultado unidade por unidade.

O objetivo não era apenas encontrar erros contábeis.

Era descobrir quanto da rentabilidade permaneceria nas mãos de um novo proprietário.

1. R$ 900 mil vinham de incentivos comerciais tratados como recorrentes

Parte do resultado apresentado incluía bonificações e incentivos recebidos de fornecedores.

Receber esses valores não era necessariamente um problema.

A questão era tratá-los como se fossem uma fonte estável de rentabilidade futura.

Na simulação, aproximadamente R$ 900 mil do EBITDA apresentado dependiam de condições comerciais que não poderiam ser consideradas automaticamente recorrentes ou garantidas para o comprador.

O valor foi retirado do resultado normalizado.

2. R$ 620 mil de despesas necessárias estavam fora da operação apresentada

A segunda descoberta foi mais grave.

Determinadas funções administrativas e logísticas utilizadas pelas farmácias eram pagas por uma empresa relacionada ao proprietário.

Na prática, a rede usufruía desses recursos, mas o custo integral não aparecia na demonstração utilizada para defender o preço.

Depois da venda, o comprador teria de contratar ou pagar por essa estrutura.

A normalização adicionou aproximadamente:

R$ 620 mil por ano em despesas

Esse ajuste reduziu diretamente o EBITDA sustentável.

3. Perdas de estoque estavam subestimadas

Farmácia é uma operação em que estoque exige atenção especial.

Validade, giro, perdas, devoluções e composição dos produtos interferem no capital necessário para manter o negócio.

Na simulação, a contagem física e a análise do histórico indicaram que aproximadamente R$ 480 mil anuais em perdas e ajustes de estoque não estavam adequadamente refletidos na rentabilidade apresentada.

Além disso, parte do estoque existente possuía giro lento.

O comprador percebeu que não estava apenas discutindo quanto valia o lucro.

Também precisava discutir quanto realmente valia o estoque que receberia no fechamento.

4. O aluguel precisava ser normalizado

Uma das unidades ocupava imóvel ligado ao vendedor e pagava valor abaixo da condição econômica que seria aplicada depois da transação.

Na simulação, a diferença representava aproximadamente:

R$ 250 mil por ano

Para analisar a empresa nas mãos do comprador, era necessário incluir esse custo.

Somados, os quatro principais ajustes totalizaram aproximadamente:

R$ 900 mil + R$ 620 mil + R$ 480 mil + R$ 250 mil = R$ 2,25 milhões

O EBITDA apresentado de R$ 3,6 milhões passava então para aproximadamente:

R$ 1,35 milhão normalizado


O preço mudou sem que o múltiplo precisasse mudar

Estudo de Caso: Golpe da Falsa Rentabilidade Evitado – Rede de Farmácias – Goiás

Essa foi uma das partes mais importantes do caso.

O comprador não precisou discutir inicialmente se 4x EBITDA era um múltiplo alto ou baixo.

Bastou aplicar o mesmo múltiplo sobre um resultado diferente.

Antes da diligência

EBITDA apresentado: R$ 3,6 milhões

× 4

= R$ 14,4 milhões

Depois da normalização

EBITDA: R$ 1,35 milhão

× 4

= R$ 5,4 milhões

Diferença:

R$ 9 milhões

Isso não significa que R$ 5,4 milhões fosse obrigatoriamente o valor correto da rede.

Estoque, dívida, capital de giro, contingências, localização, crescimento e outros fatores ainda precisariam ser considerados.

O aprendizado é outro:

um pequeno erro na qualidade do lucro pode produzir uma diferença enorme no preço quando o valuation utiliza múltiplos.


Quando uma inconsistência vira indício de falsa rentabilidade?

Uma empresa não está praticando fraude simplesmente porque seu EBITDA precisa de ajustes.

Normalizações fazem parte de inúmeras transações legítimas.

O problema aparece quando informações relevantes são apresentadas de maneira capaz de levar o comprador a acreditar que determinado resultado é sustentável quando os responsáveis sabem que não é.

Nesta simulação, o conjunto dos fatos — despesas necessárias fora da operação apresentada, incentivos tratados como permanentes e perdas não refletidas adequadamente — levou o comprador a considerar que não se tratava apenas de uma divergência de interpretação.

Havia indícios suficientes para interromper a negociação.

Esse é um dos principais riscos ao comprar empresas: números aparentemente precisos podem transmitir uma segurança que desaparece quando se investiga o que existe por trás deles.


A diligência não parou no EBITDA

Outro erro seria descobrir a falsa rentabilidade e ignorar o restante.

A rede operava em um setor regulado.

Farmácias precisam possuir autorizações e licenças compatíveis com suas atividades. A Anvisa informa que a Autorização de Funcionamento é necessária para que farmácias atuem legalmente na venda de medicamentos e que também existem exigências sanitárias locais.

Por isso, a diligência também verificou documentação societária, contratos, licenças, questões trabalhistas, fiscais e regulatórias.

Esse é o papel de uma due diligence jurídica completa: não determinar se o negócio “parece bom”, mas mapear obrigações e riscos que passarão a fazer parte da realidade do comprador.


Por que o comprador não renegociou simplesmente para R$ 5,4 milhões?

Estudo de Caso: Golpe da Falsa Rentabilidade Evitado – Rede de Farmácias – Goiás

Essa seria uma alternativa possível.

Mas, na simulação, o comprador decidiu sair.

O problema já não era apenas valuation.

Era confiança na informação fornecida.

Se quatro ajustes relevantes só apareceram depois de uma reconstrução independente do resultado, surgiu uma nova pergunta:

o que ainda não foi encontrado?

Em determinadas negociações, uma diligência negativa pode simplesmente justificar redução de preço.

Em outras, ela altera a percepção de risco a ponto de tornar a aquisição pouco atraente mesmo com desconto.

Foi o que aconteceu neste caso.

O comprador preferiu perder os custos da diligência a assumir uma empresa sobre a qual já não confiava suficientemente nas informações disponibilizadas.


Três sinais que mudaram a decisão

1. Lucro elevado sem geração financeira compatível.

A diferença não comprovava irregularidade, mas exigia explicação detalhada.

2. Resultado dependente de itens cuja continuidade não estava garantida.

Uma rentabilidade histórica só tem valor para o comprador quando existe fundamento para acreditar que continuará depois do fechamento.

3. Despesas economicamente necessárias fora dos números utilizados para defender o preço.

Se o comprador terá de pagar por determinada estrutura, esse custo faz parte da empresa que está sendo adquirida.


O que este caso não permite concluir

Os valores apresentados — R$ 24 milhões de receita, R$ 3,6 milhões de EBITDA apresentado, R$ 1,35 milhão normalizado e R$ 14,4 milhões de preço — pertencem exclusivamente a esta simulação editorial.

Eles não representam margens típicas de redes de farmácias, múltiplos recomendados ou frequência de fraude no setor.

Também não significa que bonificações de fornecedores, empresas relacionadas ou diferenças entre EBITDA e caixa constituam automaticamente sinais de golpe.

Cada elemento precisa ser compreendido dentro do contexto econômico, contábil e contratual da empresa.

A conclusão permitida é mais específica:

uma rentabilidade aparentemente elevada só deve influenciar o preço depois que o comprador comprovar de onde ela vem, quais despesas são necessárias para produzi-la e quanto desse resultado continuará existindo depois da aquisição.


Próximo passo: tentar provar que o lucro é verdadeiro

Diante de uma empresa que apresenta margens excepcionalmente atraentes, a primeira reação não deveria ser calcular quanto o investimento poderá render.

Uma pergunta melhor é:

“Consigo reconstruir esse lucro utilizando documentos e informações que não dependem apenas da narrativa do vendedor?”

Fluxo financeiro, estoque, fornecedores, despesas, contratos, tributos e estrutura operacional precisam contar uma história compatível.

É também a resposta inicial para a pergunta Como evitar cair em golpe ao comprar uma empresa?, destino editorial ainda sem URL definida: não partir da desconfiança automática, mas também nunca transformar números fornecidos pelo vendedor em fatos antes de verificá-los.

Neste caso ilustrativo, a diligência não encontrou uma empresa um pouco menos lucrativa.

Encontrou uma diferença de aproximadamente R$ 2,25 milhões por ano entre o resultado apresentado e o resultado normalizado.

O comprador não ganhou dinheiro com a aquisição.

Ele ganhou algo igualmente importante:

a oportunidade de não investir R$ 14,4 milhões em uma rentabilidade que não conseguiria reproduzir depois de assumir o negócio.

Por <a href='https://negociosbrasil.com.br/author/felipealencar/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Felipe Alencar</a>
Por Felipe Alencar
Autor do livro: O guia definitivo para vender sua empresa, melhores práticas do mercado.
Seguinte:
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