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Home / Centro de Aprendizagem / Comprar Empresa / Estudo de Caso: Fundo Compra 70% de Indústria de Plásticos – Joinville

Estudo de Caso: Fundo Compra 70% de Indústria de Plásticos – Joinville

Publicado em 04/09/2026
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Estudo de Caso: Fundo Compra 70% de Indústria de Plásticos – Joinville

Índice

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  • Por que o fundador não vendeu 100%?
  • Os números antes da transação
  • Como o fundo chegou aos 70%
  • Para onde foram os R$ 10 milhões do aporte?
  • O fundo analisou mais do que EBITDA
  • Comprar 70% também significava mudar a governança
  • Por que o fundo deixou 30% com o fundador?
  • O que aconteceu depois do investimento?
  • Três riscos poderiam fazer a operação fracassar
  • O que este caso não permite concluir
  • Próximo passo: separar quanto vai para o empresário e quanto vai para a empresa

Este estudo de caso é uma simulação baseada em situações e padrões reais de mercado. Empresas, personagens e valores foram adaptados para fins educacionais.

Quando um fundo de investimento compra empresa, a operação pode envolver muito mais do que o pagamento de um preço ao proprietário. Em alguns casos, parte do capital gera liquidez para o fundador, enquanto outra parte permanece no negócio para financiar crescimento.

Foi essa a estrutura adotada nesta simulação envolvendo uma indústria de plásticos de Joinville.

A empresa faturava aproximadamente R$ 52 milhões por ano, atendia clientes dos setores de alimentos, construção e bens de consumo e havia crescido durante mais de duas décadas sob o comando do fundador.

O negócio era lucrativo. O problema era outro.

A companhia precisava investir em automação, reforçar capital de giro, profissionalizar a gestão e reduzir a dependência do próprio fundador para sustentar uma nova etapa de crescimento.

Na simulação, um fundo de investimento decidiu adquirir 70% da companhia. Mas a operação não consistiu simplesmente em entregar dinheiro ao empresário e assumir o controle.

O fundo desembolsou R$ 28 milhões:

  • R$ 10 milhões entraram no caixa da própria indústria, por meio de aumento de capital;
  • R$ 18 milhões foram pagos ao fundador pela venda de parte de suas quotas;
  • o fundador permaneceu com 30% da empresa.

A estrutura combinou, portanto, liquidez para o proprietário, capital novo para o negócio e uma nova governança para acelerar a próxima fase da companhia.

Tudo isso precisa ser analisado dentro do processo de compra de empresas, porque adquirir participação majoritária significa assumir não apenas o potencial de crescimento, mas também riscos operacionais, financeiros e societários.


Por que o fundador não vendeu 100%?

O empresário já havia construído patrimônio relevante dentro da companhia, mas ainda acreditava no potencial da indústria.

Ao mesmo tempo, não queria financiar sozinho a expansão necessária.

A empresa precisava modernizar equipamentos, melhorar produtividade e estruturar uma gestão menos dependente de decisões centralizadas.

A alternativa encontrada foi vender o controle e permanecer como sócio minoritário.

Na prática, o fundador realizava parte do patrimônio agora e continuava participando de uma eventual valorização futura.

Essa lógica também interessava ao fundo.

Se o antigo proprietário continuasse com 30%, ainda teria incentivo econômico para ajudar a companhia durante a transição e para contribuir com clientes, fornecedores e conhecimento acumulado.

O desafio era separar alinhamento de interesses de dependência excessiva.

O fundo não queria comprar uma empresa que continuasse funcionando apenas porque o fundador estava presente.


Os números antes da transação

Na simulação, a indústria apresentava aproximadamente:

Receita anual: R$ 52 milhões
EBITDA normalizado: R$ 6,2 milhões
Dívida financeira líquida: R$ 4 milhões
Funcionários: cerca de 180
Clientes relevantes: aproximadamente 45

A companhia possuía operação saudável, mas havia concentração em alguns clientes e equipamentos próximos do limite de produtividade em determinadas linhas.

O setor também exigia capacidade constante de investimento.

Segundo o Perfil 2025 da ABIPLAST, a indústria brasileira de transformação e reciclagem de plásticos reúne mais de 14 mil empresas e mantém investimentos relevantes em expansão fabril, tecnologia, reciclagem e novas soluções produtivas.

Esse contexto não provava que a empresa de Joinville seria uma boa aquisição.

Mas ajudava a explicar por que produtividade, máquinas, inovação e capacidade de investimento tinham peso importante na tese.


Como o fundo chegou aos 70%

fundo de investimento compra empresa

A estrutura foi construída em duas etapas.

1. O fundo colocou R$ 10 milhões dentro da empresa

Antes do investimento, o valor ilustrativo do patrimônio da companhia foi negociado em:

R$ 30 milhões pré-money

O fundo então realizou um aporte primário de:

R$ 10 milhões

Depois desse aporte, a empresa passou a ter um valor pós-money de:

R$ 40 milhões

O fundo passou a deter 25% da companhia, enquanto o fundador ficou com 75%.

O ponto mais importante é que esses R$ 10 milhões não foram para o bolso do empresário.

Foram para a indústria.

2. O fundo comprou mais 45% do fundador

Em seguida, o fundo adquiriu outros 45 pontos percentuais da empresa por:

R$ 18 milhões

Ao final:

Fundo: 70%
Fundador: 30%

O desembolso total do investidor foi de:

R$ 28 milhões

Mas apenas R$ 18 milhões representavam liquidez direta para o vendedor.

Os outros R$ 10 milhões passaram a financiar o crescimento da companhia.


Para onde foram os R$ 10 milhões do aporte?

O plano ilustrativo previa:

R$ 4,5 milhões para automação e novos equipamentos;
R$ 2,5 milhões para reforço de capital de giro;
R$ 1,5 milhão para expansão comercial e novos mercados;
R$ 1 milhão para tecnologia, controles e sistemas de gestão;
R$ 500 mil como reserva de execução.

A tese não era simplesmente comprar 70% e esperar a empresa valorizar.

O fundo precisava criar condições para que a companhia produzisse mais resultado no futuro.

Essa é uma diferença relevante entre comprar uma participação de controle e adquirir uma empresa apenas para receber os lucros existentes.

Estudo de Caso: Fundo Compra 70% de Indústria de Plásticos – Joinville

O fundo analisou mais do que EBITDA

Os R$ 6,2 milhões de EBITDA eram importantes.

Mas não suficientes.

A diligência avaliou concentração de clientes, contratos, fornecedores de matéria-prima, necessidade de manutenção, idade do parque fabril, capital de giro, passivos, qualidade das informações financeiras e dependência do fundador.

Também procurou responder uma pergunta:

quanto do resultado atual continuaria existindo se a empresa passasse a operar com outra governança?

Essa lógica está no centro daquilo que investidores analisam antes de comprar uma empresa.

Em uma indústria, máquinas, estoque e faturamento podem ser visíveis. Os riscos que destroem retorno frequentemente estão em outra camada: concentração comercial, margens pouco defensáveis, necessidade futura de capital e processos excessivamente dependentes de determinadas pessoas.

Por isso, analisar como comprar uma indústria de médio porte exige compreender tanto os ativos existentes quanto o capital necessário para mantê-los competitivos.


Comprar 70% também significava mudar a governança

O fundo não estava realizando apenas uma aplicação financeira passiva.

Ele assumiria o controle.

A própria regulamentação dos Fundos de Investimento em Participações prevê participação no processo decisório das sociedades investidas, com influência efetiva sobre política estratégica e gestão. O princípio aparece no Anexo Normativo IV da Resolução CVM 175.

Na simulação, foi criado um conselho com cinco integrantes:

  • três indicados pelo fundo;
  • dois ligados ao fundador.

O fundador permaneceu na operação durante a transição, mas decisões relevantes deixaram de depender exclusivamente dele.

Endividamento acima de determinados limites, novos investimentos relevantes, aquisições, venda de ativos importantes e política de dividendos passaram a seguir regras previamente definidas.

Esse é um dos motivos pelos quais as cláusulas de um contrato de investimento podem ser tão importantes quanto o percentual adquirido.

Controle econômico não depende apenas de possuir 70% no contrato social.

Depende também de quem decide o quê depois do fechamento.


Por que o fundo deixou 30% com o fundador?

A participação remanescente funcionava como alinhamento.

Se a companhia crescesse e passasse a valer mais, o fundador também ganharia.

Imagine, apenas para visualizar a lógica, que anos depois o patrimônio da empresa fosse avaliado em R$ 70 milhões.

Os 30% restantes representariam:

R$ 21 milhões

Isso não é uma projeção do caso nem uma promessa de retorno.

Serve apenas para mostrar por que um vendedor pode aceitar realizar parte do patrimônio agora e continuar exposto ao crescimento futuro.

Para o fundo, a permanência do fundador também reduzia parte do risco da transição.

Mas havia um limite.

O objetivo era usar seu conhecimento — não perpetuar a dependência da empresa em relação a ele.


O que aconteceu depois do investimento?

Estudo de Caso: Fundo Compra 70% de Indústria de Plásticos – Joinville

Nos primeiros 24 meses da simulação, a prioridade foi executar o plano aprovado na transação.

A empresa automatizou duas linhas produtivas, reorganizou compras, fortaleceu controles gerenciais e contratou um executivo para assumir gradualmente responsabilidades antes concentradas no fundador.

A base de clientes também começou a ficar menos concentrada.

Ao final do período ilustrativo:

Receita anual: aproximadamente R$ 65 milhões
EBITDA normalizado: aproximadamente R$ 8 milhões

A evolução não deve ser atribuída exclusivamente ao fundo.

Mercado, execução da equipe, investimentos, capacidade comercial e condições econômicas também interferem no resultado.

A conclusão permitida é mais cautelosa:

o capital e a nova governança criaram condições para executar mudanças que a empresa vinha adiando.


Três riscos poderiam fazer a operação fracassar

1. O fundo pagar por crescimento que ainda não existia.

Se o preço já incorporasse integralmente os resultados futuros esperados, pouco valor sobraria mesmo que o plano funcionasse.

2. O fundador sair rápido demais.

Relacionamentos, conhecimento técnico e decisões comerciais poderiam estar mais concentrados nele do que a diligência indicava.

3. A governança gerar conflito em vez de profissionalização.

Ter um sócio com 30% e outro com 70% exige regras claras. Divergências sobre investimentos, dividendos, endividamento ou uma futura venda poderiam prejudicar a própria companhia.


O que este caso não permite concluir

Os valores apresentados — R$ 30 milhões pré-money, R$ 10 milhões de aporte, R$ 18 milhões pagos ao fundador e participação final de 70% — pertencem exclusivamente a esta simulação editorial.

Eles não representam múltiplos típicos para indústrias de plásticos nem condições usuais de fundos de investimento no Brasil.

Também não significam que manter o fundador com 30% seja sempre melhor do que adquirir 100%.

Cada transação depende de valuation, necessidade de capital, sucessão, governança, riscos, estratégia do investidor e objetivos do empresário.

A conclusão é mais específica:

uma aquisição majoritária pode combinar liquidez para o fundador e capital novo para a empresa, permitindo que vendedor e investidor continuem expostos à criação de valor — desde que preço, governança e plano de crescimento estejam alinhados.


Próximo passo: separar quanto vai para o empresário e quanto vai para a empresa

Quando um fundo apresenta uma proposta de investimento, olhar apenas para o valor total pode produzir uma interpretação errada.

Neste caso ilustrativo, o cheque era de R$ 28 milhões.

Mas o fundador não recebeu R$ 28 milhões.

Recebeu R$ 18 milhões.

Os outros R$ 10 milhões permaneceram na companhia, financiando aquilo que deveria criar a próxima fase de valor.

Por isso, diante de uma proposta de participação, uma pergunta especialmente útil é:

quanto do dinheiro compra minhas quotas — e quanto realmente entra na empresa para fazê-la crescer?

Essa separação ajuda a entender liquidez, diluição, participação remanescente e potencial futuro.

No caso da indústria de Joinville, os 70% adquiridos pelo fundo representavam mais do que uma mudança de proprietário.

Representavam uma combinação de saída parcial do fundador, capitalização da empresa e transferência do controle para uma nova estrutura de governança.

Por <a href='https://negociosbrasil.com.br/author/felipealencar/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Felipe Alencar</a>
Por Felipe Alencar
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